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Idosos sabem pouco sobre medicamentos que consomem
Geral - 07/03/2016

Por Rafael Ihara, da AUN/USP

Os idosos são a parcela da população que mais consome medicamentos - e isso não é novidade pra ninguém. Só que uma pesquisa desenvolvida por Thiago Didone, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, descobriu que eles sabem muito pouco sobre os remédios que consomem. Esse dado preocupante foi obtido por meio de entrevistas com idosos que foram atendidos no ambulatório de fragilidade do Hospital Universitário da USP.

O questionário que fora aplicado aos idosos é de origem espanhola, e foi adaptado para o Brasil (já que por aqui não existe nenhuma lista de perguntas padrão que mede o conhecimento do brasileiro sobre os remédios que consome). Para Thiago, a parte mais difícil do estudo foi conseguir realizar os chamados "testes de confiabilidade" no Brasil para validar as perguntas do questionário espanhol. "Os testes exigiam conhecimentos sobre os quais nem eu, nem minha orientadora tínhamos domínio", comenta.

O farmacêutico entrevistou 80 idosos atendidos no Hospital das Clínicas de São Paulo. Eles tinham que responder a 11 questões (as mesmas para todos) que tinham o objetivo de verificar o grau de conhecimento do paciente sobre dosagem do(s) medicamento(s) que consome, frequência de ingestão, duração do tratamento, como tomar o remédio, para que serve, como ocorre o efeito, contraindicações, entre outras. "O ideal seria ter feito 120 entrevistas, mas a limitação de tempo que o mestrado impõe me impediu de realizar essa amostragem maior", admite.

Alguns idosos não se lembravam, por exemplo, do nome do remédio. Parte das entrevistas foi feita com os cuidadores dos pacientes (alguns que já não conseguiam andar ou falar direito, e precisavam de alguém que os auxiliasse no dia a dia inclusive na hora de tomar os remédios). Thiago chegou à conclusão de que a maior parte dos idosos sabia como tomar o remédio, e qual a sua dose - mas mostraram absoluta falta de conhecimento sobre a função dos medicamentos que ingeriam, de que forma eles agiam no corpo, as reações adversas, contraindicações, e suas condições de armazenamento e preservação.

Além de fazer perguntas sobre os medicamentos, o questionário também possuía questões que diziam respeito ao nível socioeconômico do entrevistado. Como o Hospital Universitário da Universidade de São Paulo atende públicos com diferentes rendas e níveis de formação (desde pessoas humildes até professores-doutores aposentados), a pesquisa de Thiago acabou ficando equilibrada, com quantidades semelhantes de pessoas mais e menos instruídas (37% dos entrevistados não tinham instrução, e 25% possuíam o superior completo).

O mestrado de Thiago Didone chegou a três conclusões principais e importantes (algumas já esperadas). Segundo o farmacêutico, quanto maior o nível de escolaridade do indivíduo, maior o grau de conhecimento sobre os medicamentos que consome. Além disso, o resultado das entrevistas mostrou que quanto mais longo o tratamento com o remédio, mais facilmente ele era lembrado pelo entrevistado. Por fim, a descoberta mais inesperada, segundo o autor da pesquisa: os medicamentos "perigosos", tecnicamente classificados como de "alta vigilância" (porque seu manuseio equivocado pode acabar gerando consequências graves ao paciente) são mais conhecidos pelos entrevistados. Thiago tem uma justificativa para esse resultado: "provavelmente os médicos e equipes do hospital devem dar muitas orientações sobre esses remédios mais perigosos", opina.

 

 

(Foto: Reprodução/USnews Health)

 

 

 

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